Rembrandt copiou o cão de outro artista para sua famosa “Noite de Vigia”
AMSTERDAM (AP) — Um detetive das artes em Amsterdã resolveu, sem grandes esforços, um enigma canino que remonta à Era de Ouro Holandesa.
A curadora Anne Lenders, do renomado Rijksmuseum de Amsterdã, revelou nesta terça-feira que foi por acaso que ela descobriu que o cão latindo na famosa “Noite de Vigia”, de Rembrandt van Rijn, é praticamente idêntico ao representado em um desenho a tinta de 1619, realizado pelo também artista holandês Adriaen van de Venne.
“Eu não estava procurando por isso; foi realmente inesperado”, afirmou Lenders na sala de vidro onde a obra passa por uma extensa restauração.
Durante uma visita a uma exposição no Zeeuws Museum, no sul dos Países Baixos, seu olhar se deparou com a imagem de um cão desenhado por Van de Venne e impresso em um livro do poeta Jacob Cats. Posteriormente, descobriu-se que o desenho original também fazia parte da vasta coleção do próprio Rijksmuseum. A semelhança era tão marcante que Lenders imediatamente supôs que Rembrandt teria utilizado esse modelo.
A pesquisa começou então com uma comparação detalhada entre os cães representados pelos dois artistas, observando a pose, o ângulo em que a cabeça se vira – com a boca levemente aberta – e até mesmo o colar usado pelos animais. Ambos os cães possuem pelos longos e orelhas caídas, características que se repetem de forma surpreendentemente idêntica.
No “Noite de Vigia”, o cão contribui para a tensão em um dos cantos escuros da composição repleta de figuras, agachado e aparentemente latindo próximo ao percussionista Jacob Jorisz, bem atrás de um dos personagens principais, o tenente Willem van Ruytenburch.
A descoberta é a mais recente de uma série de revelações que surgem em meio a um projeto de anos para reexaminar a tela de 379,5 por 453,5 centímetros (149,4 por 178,5 polegadas) por meio de técnicas modernas. A “Operação Noite de Vigia” teve início em 2019, com um estudo aprofundado da pintura, e prossegue com trabalhos de restauração que deverão se estender por vários anos.
“Costuma-se pensar que, como a obra já foi tão bem pesquisada, sabemos tudo sobre ela. Mas o maravilhoso da grande arte é que sempre há algo novo a ser descoberto”, disse Taco Dibbits, diretor do Rijksmuseum.
Uma questão que ainda intriga os especialistas é a identificação exata da raça do cão, com opiniões divididas entre uma raça francesa e uma holandesa. Segundo Dibbits, os dois artistas provavelmente se valeram de certa licença poética.
“Nunca chegaremos a uma conclusão definitiva sobre a raça, mas, sem dúvida, o animal na pintura é muito querido”, completou.
Por Mike Corder
Repórter na Holanda com mais de 30 anos de experiência, cobrindo desde os tribunais internacionais em Haia até a política local e eventos esportivos, com passagens pela região Ásia-Pacífico.
Atualizado: [inserir data e hora conforme necessário]

Dom Montenegro é escritor e pesquisador de espiritualidade, criador do blog Encontro Espiritual.
Promove diálogo acolhedor entre tradições, com reflexões, orações e práticas para o dia a dia.
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