Duas tempestades tropicais próximas podem proteger as Carolinas de danos
Enquanto um sistema tropical úmido seguia rumo às Bahamas, sua ameaça à costa da Carolina pode depender de uma interação incomum – ou até mesmo de uma rara “dança” – com outro sistema em desenvolvimento. Esse segundo sistema, ainda sem nome e que provavelmente se transformará em Imelda, caminha em direção às Carolinas e pode evoluir para um furacão capaz de provocar chuvas intensas e inundações, especialmente se se manter estacionário por um período prolongado.
As previsões apontam que a tempestade poderá atingir a região no início da próxima semana, e os moradores devem ficar atentos aos riscos de chuvas pesadas e inundações. Pequenas mudanças na trajetória e na velocidade determinarão se o forte e mais antigo furacão Humberto, que alcançou a categoria de furacão maior, poderá interagir com o sistema menor e, assim, puxá-lo para o leste – possivelmente desviando-o da costa.
“Mesmo que se espere uma desaceleração e uma curva para o leste, o momento exato e o local em que isso ocorrerá farão uma grande diferença na proximidade do centro da tempestade com a costa”, explicou o diretor do Centro Nacional de Furacões.
À medida que Imelda se aproxima da costa da Flórida, há um alerta de tempestade tropical para partes da região, com ventos de pelo menos 63 km/h. Isso aumenta o risco de correntes de ressaca, e as autoridades recomendam cautela para quem estiver próximo à beira-mar.
Ao seguir seu trajeto para o norte, as Carolinas podem enfrentar um risco significativo de inundações. O sistema, que já carrega uma grande quantidade de umidade (com previsão de acumular até 30 centímetros de chuva em Cuba), poderá causar chuvas perigosas se se aproximar do litoral ou até mesmo desencadear um mecanismo de parada próxima à terra. Essa situação é reforçada pelas análises de especialistas da Universidade de Miami.
Os meteorologistas observam, inclusive, um fenômeno raro, normalmente visto no Pacífico: os sistemas tropicais podem interagir de forma a “dançar” ao redor de um ponto comum. Esse fenômeno, denominado Efeito Fujiwhara – em homenagem ao cientista japonês que o descreveu há mais de 100 anos – foi observado há dois anos em outros sistemas tropicais, embora à distância e com riscos menores. No cenário atual, trata-se de um caso de alto impacto, com a possibilidade de duas tempestades – ou até mesmo furacões – se aproximando perigosamente da costa do Sudeste.
Normalmente, essa interação ocorre quando os sistemas estão a cerca de 1.300 a 1.500 quilômetros de distância um do outro. Modelos meteorológicos indicam que, na maioria dos casos, essa dinâmica pode puxar o sistema mais jovem e de menor porte para o leste, afastando-o da costa. Em furacões como Humberto, o ar sobe no centro, espalha-se em forma de cogumelo e, posteriormente, desce; esse ar descendente pode, inclusive, inibir o desenvolvimento de Imelda.
Devido à singularidade dessa situação, a NOAA está realizando missões aéreas extras para medir as condições atmosféricas entre os dois sistemas, já que, normalmente, existe uma separação natural entre as tempestades que se formam a partir dos distúrbios que saem da África.
Embora os desdobramentos dependam de pequenas variações na trajetória e na intensidade dos sistemas, a interação entre Humberto e a provável Imelda pode, ironicamente, acabar protegendo as Carolinas de danos mais severos.

Dom Montenegro é escritor e pesquisador de espiritualidade, criador do blog Encontro Espiritual.
Promove diálogo acolhedor entre tradições, com reflexões, orações e práticas para o dia a dia.
Sua missão é inspirar fé, paz interior e compaixão, respeitando a diversidade religiosa.

Deixe um comentário