Atentado em funeral na RDC deixa pelo menos 70 mortos

De acordo com um grupo de defesa cristã, pelo menos 70 cristãos foram mortos durante o funeral de um membro de sua igreja no leste da República Democrática do Congo (RDC). O trágico incidente ocorreu na vila de Ntoyo, em 8 de setembro, quando rebeldes das Forças Democráticas Aliadas (ADF), também conhecidos como a Província Centro-Africana do Estado Islâmico (ISCAP), atacaram com armas de fogo e facões. O grupo Open Doors, que defende cristãos perseguidos ao redor do mundo, divulgou a informação.

O ISCAP assumiu a responsabilidade pelo ataque, afirmando que quase 100 cristãos teriam sido mortos, de acordo com o SITE Intelligence Group, que monitora atividades militantes.

Por que isso importa

O ataque evidencia um padrão de violência direcionada por motivos religiosos no leste do Congo, onde as comunidades cristãs se mostram cada vez mais vulneráveis. Mesmo sendo a RDC um país de maioria cristã, os fiéis estão “cada vez mais vulneráveis à perseguição”, conforme apontado pela Open Doors. A organização ressalta que “os cristãos enfrentam severa perseguição e violência constante por militantes islamistas das ADF, especialmente na região leste. Aliados ao grupo Estado Islâmico, as ADF sequestram, matam e atacam igrejas, provocando terror generalizado, insegurança e deslocamento de pessoas.”

O que você precisa saber

Além das mortes, 100 pessoas foram sequestradas e 16 casas foram incendiadas, segundo a Open Doors, enquanto o SITE Intelligence Group informou que 30 residências foram queimadas. “Eles chegaram e começaram a matar”, relatou o reverendo Mbula Samaki, da igreja 55e CEBCE, em Mangurejipa. “Aqueles que tentaram fugir foram mortos a tiros e outros sofreram o mesmo destino com facões.”

Conforme informou o porta-voz do exército, Tenente Marc Elongo, os militantes das ADF já haviam consumado o massacre antes da intervenção dos soldados congoleses. Em um ataque suspeito em outra vila, pelo menos 18 pessoas morreram, conforme informações das autoridades.

O que as pessoas estão dizendo

O administrador local Macaire Sivikunula declarou que “as vítimas foram pegas de surpresa durante uma cerimônia de luto na vila de Ntoyo, por volta das 21h, e a maioria foi morta com facões.”

O pároco Abbé Paluku Nzalamingi acrescentou: “É horrível o que vi – mulheres em colchões na sala de estar, outras no corredor e algumas do lado de fora, no terreno. Alguns corpos estão na estrada, em áreas próximas ao centro de Ntoyo. Eles mataram quase todas as pessoas reunidas no local do luto.”

O que acontece a seguir

Apesar das recentes campanhas militares conjuntas entre as forças da RDC e de Uganda, as ADF continuam ativas e letais. Diante da persistência dos ataques, organizações de ajuda e líderes religiosos reforçam a necessidade de um engajamento internacional mais robusto e de medidas de proteção para as comunidades vulneráveis.


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