Depois dos cortes nos benefícios alimentares, a administração Trump encerra o relatório anual sobre a fome na América

WASHINGTON (AP) — A administração Trump está encerrando o relatório anual do governo federal sobre a fome na América, afirmando que ele se tornou “excessivamente politizado” e “repleto de imprecisões”.

A decisão surge dois meses e meio após o presidente Donald Trump ter assinado uma legislação que reduziu drasticamente a ajuda alimentar para os pobres. O Escritório de Orçamento do Congresso estimou que o projeto de cortes de impostos e gastos, aprovado pelos republicanos em julho, fará com que 3 milhões de pessoas não se qualifiquem para os cupons de alimentos, conhecidos como benefícios SNAP.

A decisão de eliminar o Relatório de Segurança Alimentar das Famílias, do Departamento de Agricultura dos EUA, foi noticiada primeiramente pelo The Wall Street Journal. Em um comunicado à imprensa no sábado, o USDA afirmou que o relatório de 2024, a ser divulgado em 22 de outubro, será o último.

“As questões utilizadas para coletar os dados são inteiramente subjetivas e não apresentam uma imagem precisa da segurança alimentar real”, afirmou o USDA. “Os dados estão repletos de imprecisões que tendem a criar uma narrativa que não representa o que realmente está acontecendo no campo, pois atualmente estamos registrando taxas de pobreza mais baixas, aumento dos salários e crescimento do emprego sob a administração Trump.”

O Census Bureau relatou, no início deste mês, que a taxa de pobreza nos EUA caiu de 11% em 2023 para 10,6% no ano passado, antes de Trump assumir o cargo.

Críticos foram rápidos em acusar a administração de dificultar deliberadamente a mensuração da fome e a avaliação do impacto dos cortes nos cupons alimentares. “Trump está cancelando uma pesquisa anual do governo que mede a fome na América, em vez de permitir que ela mostre um aumento da fome durante sua gestão”, afirmou Bobby Kogan, diretor sênior de política orçamentária federal do Center for American Progress, em uma rede social. “Isso segue o manual de muitas não-democracias que cancelam ou manipulam relatórios que, de outra forma, mostrariam notícias menos favoráveis.”


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