O presidente do Líbano diz que negociações com Israel são necessárias, pois a guerra não trouxe resultados positivos

BEIRUT (AP) — O presidente do Líbano afirmou nesta segunda-feira que seu país e Israel deveriam negociar para resolver problemas pendentes, já que a guerra não resultou em nenhum avanço positivo.

O líder libanês fez as declarações após o mediador norte-americano intermediar um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas na guerra de mais de dois anos, iniciada em 7 de outubro de 2023, quando o grupo militante palestino lançou um ataque no sul de Israel, causando 1.200 mortes e a tomada de 251 reféns.

Um dia após o início do conflito entre Israel e o Hamas, o Hezbollah passou a atacar postos militares israelenses ao longo da fronteira, caracterizando tais ações como uma “frente de apoio” a Gaza. Quase um ano depois, o conflito entre Israel e o Hezbollah evoluiu para combates intensos, durante os quais o grupo libanês sofreu perdas significativas e muitos de seus comandantes políticos e militares foram mortos.

Após o término da guerra de 14 meses entre Israel e o Hezbollah, que se encerrou com um cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos em novembro, Israel passou a realizar ataques aéreos quase diários no Líbano, ocasionando inúmeras vítimas, muitas delas civis.

“O Líbano já negociou com Israel no passado, com a mediação dos Estados Unidos e das Nações Unidas”, afirmou o presidente Aoun, destacando que essas negociações resultaram no acordo de 2022 sobre a fronteira marítima entre os dois países.

“O que impede de repetirmos o mesmo procedimento para encontrar soluções para questões pendentes, especialmente considerando que a guerra não trouxe resultados?”, questionou Aoun. Ele ressaltou que o clima no Oriente Médio favorece a celebração de acordos e que a forma como as negociações serão conduzidas poderá ser definida no momento oportuno.

“As condições se encaminham para negociações que possam alcançar paz e estabilidade”, declarou Aoun. “Portanto, acreditamos que o diálogo e as negociações podem levar a soluções.”

“Não podemos permanecer alheios ao cenário em desenvolvimento na região”, afirmou Aoun durante encontro com jornalistas empresariais libaneses.

Em pronunciamento no parlamento israelense, Donald Trump ressaltou que o país já alcançou seus objetivos militares e que deve direcionar esforços para promover a paz no Oriente Médio, após mais de dois anos de conflito com o Hamas e diversas escaramuças envolvendo o Hezbollah e o Irã.

Em agosto, o governo libanês tomou a decisão de desarmar o Hezbollah até o final do ano. Contudo, autoridades afirmaram posteriormente que os recursos disponíveis são insuficientes para cumprir o prazo. Atualmente, o objetivo é desocupado integralmente um trecho ao longo da fronteira entre Líbano e Israel, definido como a região ao sul do rio Litani, até o final de novembro, para que possam ser iniciadas as próximas fases do processo.

O Hezbollah, por sua vez, rejeitou o plano, afirmando que não discutirá o desarmamento enquanto Israel continuar ocupando diversas elevações ao longo da fronteira e promovendo ataques quase diários.

Em seu discurso em Jerusalém, Trump elogiou o presidente Aoun, destacando que sua administração está auxiliando na desativação definitiva das brigadas armadas do Hezbollah. “A adaga do Hezbollah, há muito tempo voltada contra a garganta de Israel, foi totalmente despedaçada”, declarou o ex-presidente.


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