“Se as atrocidades, crueldades, assassinatos e derramamento de sangue causados apenas pela religião forem somados, em comparação com os crimes cometidos por Satanás, os crimes cometidos pela religião superariam em muito os cometidos por Satanás.” – Sir Syed Ahmad Khan (citado em Altaf Hussain Hali, Hayat-e-Javed)

Após a Revolta de 1857, quando alguém solicitou a Sir Syed que contribuísse com uma quantia para a Jama Masjid de Saharanpur, ele recusou de forma categórica e enviou a seguinte mensagem por escrito: “Quero construir casas de Deus que sejam animadas, enquanto vocês estão pensando em construir casas de tijolos e barro.”

Esse episódio evidencia como Sir Syed encarava a obsessão pela religião como uma distração que deixava a comunidade muçulmana desprovida de poder no mundo. Essa perspectiva contrasta diretamente com a ideia repetida pelos islamistas de que o Islã é um “modo de vida” sem separação entre religião e política, onde tudo deve estar subordinado à disciplina teológica. Sir Syed, porém, não acreditava nessa hiper-inflacionada importância da religião.

O princípio defendido por Sir Syed teve enormes implicações para a lei islâmica e suas instituições. Ao limitar a autoridade vinculante do Profeta a uma definição estrita da religião, ele deslegitimou o vasto arcabouço de jurisprudência e regulação social que até então fora justificado através do Sunna e do ijmaʿ.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *