A Associated Press está contestando as alegações falsas de Donald Trump sobre sua disputa judicial relativa ao acesso, depois que o presidente caracterizou incorretamente o caso em um fórum público – uma situação que remonta à decisão da agência, no inverno passado, de não obedecer à ordem executiva de renomear o Golfo do México.
Falando no domingo, em um porta-aviões durante a celebração do 250º aniversário da Marinha dos EUA, Trump afirmou que “fomos processados pela Associated Press e eles perderam”. O presidente disse que a AP “liberal” foi “expulsa do tribunal” e que “quase não pode mais me cobrir”.
Na realidade, a AP venceu seu caso contra Trump, mas o presidente conseguiu obter um adiamento na aplicação da decisão, enquanto o Tribunal de Apelações dos EUA ainda analisa a questão. Os argumentos relativos ao recurso do presidente estão agendados para novembro.
“O tribunal decidiu a favor da AP – em uma forte decisão em defesa da liberdade de expressão – e o governo está apelando”, afirmou o porta-voz da AP, Patrick Maks. “Como temos afirmado desde o início, a imprensa e o público possuem o direito fundamental de se expressar livremente, sem retaliação governamental.”
A Casa Branca começou a bloquear o acesso da AP a eventos com espaço limitado, como coletivas na Sala Oval ou viagens a bordo do Air Force One, a partir de fevereiro. Isso ocorreu depois que a agência, por meio de seu influente Stylebook, orientou seus jornalistas de que, embora pudessem mencionar o desejo de Trump de renomear a massa de água para Golfo da América, o nome oficial não havia sido alterado.
A AP entrou com uma ação judicial alegando que o governo estava punindo ilegalmente a organização por seu ponto de vista. O juiz distrital dos EUA, Trevor N. McFadden, nomeado por Trump, concordou que a Casa Branca – uma vez decidida a convidar repórteres – não podia “fechar as portas” para esses profissionais por conta do que eles disseram ou escreveram.
A administração presidencial afirmou que cabe a ela determinar quem tem acesso ao presidente. Na ausência de uma ordem que obrigue a aplicação da decisão, a Casa Branca tem seguido seu próprio caminho. Normalmente, os fotógrafos da AP conseguem acesso a esses eventos com espaço limitado, enquanto o ingresso de repórteres de texto ocorre com muito menos frequência. Antes do retorno de Trump ao cargo, a Associação dos Correspondentes da Casa Branca costumava decidir sobre o acesso, e a AP, como agência de notícias amplamente assinada por outros veículos, era quase sempre autorizada.
O presidente tem exercido pressão sobre diversas organizações de notícias em várias frentes – com casos em que, por exemplo, a ABC News e a CBS News já resolveram ações judiciais relacionadas à sua cobertura. Trump também moveu processos contra o The New York Times e o Wall Street Journal, além de tentar cortar o financiamento de serviços governamentais, como o Voice of America e a Radio Free Europe/Radio Liberty.
A AP contestou ainda a alegação de Trump de que a agência não a cobria como resultado dessas ações. Por meio de outros métodos, como o acompanhamento por vídeos das aparições do presidente na Casa Branca, a agência consegue monitorar de perto o que Trump diz e faz.
Em sua decisão, o juiz McFadden afirmou que não pretendia conceder acesso permanente à AP para os eventos com espaço limitado, “mas a agência não pode ser tratada de forma inferior às demais agências filiadas”.

Dom Montenegro é escritor e pesquisador de espiritualidade, criador do blog Encontro Espiritual.
Promove diálogo acolhedor entre tradições, com reflexões, orações e práticas para o dia a dia.
Sua missão é inspirar fé, paz interior e compaixão, respeitando a diversidade religiosa.


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