Dallin H. Oaks, ex-juiz da Suprema Corte de Utah, foi nomeado nesta terça-feira para liderar A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que conta com mais de 17 milhões de membros em todo o mundo.

A escolha de Oaks como presidente, sucedendo o falecido Russell M. Nelson – que tinha 101 anos –, segue uma política de longa data da igreja: o membro com mais tempo de serviço no Quórum dos Doze Apóstolos assume a presidência. Essa tradição garante uma transição tranquila e evita pressões internas ou externas.

Como presidente, Oaks é considerado um profeta e vidente, responsável por guiar a igreja por meio de revelações divinas, auxiliado por dois principais conselheiros e membros do Quórum. Ele definirá as políticas e supervisionará os diversos interesses comerciais da instituição.

A transição de liderança se dá num momento delicado para os membros, que ainda se recuperam do impacto de um ataque letal a uma congregação em Michigan e do caso do assassinato do ativista conservador Charlie Kirk em Utah, onde a denominação está sediada.

Com 93 anos, Oaks será um dos presidentes mais idosos, exercendo a função até o fim de sua vida. Os mandatos anteriores variaram significativamente, podendo durar desde nove meses até quase 30 anos.

Especialistas não esperam que Oaks se afaste drasticamente da abordagem de seu predecessor, uma vez que ele foi um dos conselheiros mais próximos de Nelson. No entanto, há expectativa de que ele possa direcionar a atenção da igreja de sua projeção global para questões internas.

Em uma das primeiras mudanças em relação à presidência de Nelson, Oaks anunciou durante a última conferência geral que a inauguração de novos templos será desacelerada. Ele também ressaltou a importância da família, reconhecendo que nem todas as famílias possuem a mesma estrutura. Em um raro desvio de seus sermões habituais, mais racionais do que emocionais, Oaks recordou o dia em que seu avô lhe contou, aos 7 anos, sobre o falecimento de seu pai, enfatizando o valor de ter sido criado por uma mãe solteira e por outras figuras parentais.

Conhecido por sua postura jurídica e visões tradicionais sobre o casamento e a liberdade religiosa, Oaks tem sido um fervoroso defensor contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e da crença de que a homossexualidade é um pecado – posição que gera desconforto entre membros LGBTQ+ e seus aliados. Em 2022, ele afirmou que pressões sociais e legais não influenciariam a igreja a modificar sua postura sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo e questões de identidade de gênero.

Contudo, nos últimos anos, Oaks participou de decisões importantes que indicam que o tema pode não ser o foco central de sua administração. Em 2019, por exemplo, ele foi o conselheiro mais próximo de Nelson quando este revogou uma política que proibia batismos para filhos de pais homossexuais e classificava casais do mesmo sexo como pecadores, passíveis de expulsão.

Além disso, Oaks tem defendido com veemência o discurso público civilizado. Ainda nos primeiros anos como apóstolo, ele integrou uma campanha contra o extremismo de direita, que culminou em algumas excomunicações, e em 2020 defendeu a importância de confiar nos processos eleitorais sem recorrer ao radicalismo ou à violência.


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