Israel intensifica ataques à Cidade de Gaza e hospital informa que pelo menos 32 morreram

DEIR AL-BALAH, Faixa de Gaza (AP) — Uma série de ataques aéreos matou pelo menos 32 pessoas na Cidade de Gaza, enquanto Israel intensifica sua ofensiva e exorta os palestinos a evacuarem, conforme informaram equipes médicas neste sábado.

Dos mortos, 12 eram crianças, segundo o necrotério do Hospital Shifa, para onde os corpos foram levados.

Nos últimos dias, Israel intensificou os ataques em toda a Cidade de Gaza, destruindo diversos prédios de múltiplos andares e acusando o Hamas de ter instalado equipamentos de vigilância nessas estruturas.

Neste sábado, o exército anunciou que atingiu outro prédio de múltiplos andares usado pelo Hamas na região de Gaza. Ordenou que os moradores evacuem, parte de uma ofensiva destinada a tomar a maior cidade do território de Gaza, que, segundo o governo israelense, representa o último reduto do Hamas. Centenas de milhares de pessoas permanecem na área, enfrentando condições de extrema escassez de recursos.

Um dos ataques, ocorrido durante a madrugada de sábado, atingiu uma residência no bairro Sheikh Radwan, ceifando a vida de uma família de 10 pessoas – entre elas, uma mãe e seus três filhos –, conforme informaram autoridades de saúde. A Associação Palestina de Futebol divulgou que o jogador do Al-Helal Sporting Club, Mohammed Ramez Sultan, foi uma das vítimas dos ataques, que também ceifaram a vida de 14 membros de sua família. Imagens registraram os ataques seguidos por colunas de fumaça.

O exército israelense não respondeu imediatamente às perguntas sobre esses ataques.

Familiares dos reféns se reúnem em Israel

Enquanto isso, familiares de reféns israelenses mantidos pelo Hamas se reuniram em Tel Aviv neste sábado para exigir um acordo que assegure a liberação de seus entes queridos, criticando a postura – considerada contraproducente – adotada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para obter uma resolução.

Einav Zangauker, mãe do refém Matan Zangauker, descreveu como um “fracasso espetacular” a tentativa de assassinato, realizada por Israel, de líderes do Hamas no Catar nesta semana.

“O presidente Trump disse ontem que, sempre que há progresso nas negociações, Netanyahu bombardeia alguém. Mas ele não tentou bombardear os líderes do Hamas – foi nossa chance, como famílias, de trazer nossos entes queridos para casa”, afirmou Zangauker.

Alguns palestinos deixam a Cidade de Gaza, mas muitos estão presos

Com o agravamento das hostilidades e os apelos para evacuar a cidade, o número de pessoas que estão deixando a área aumentou nas últimas semanas, de acordo com trabalhadores humanitários. Contudo, muitas famílias permanecem presas, seja pelo custo de transporte e moradia, seja pela desconfiança de que qualquer lugar no enclave seja seguro, depois de tantas experiências de deslocamento.

Em mensagem divulgada nas redes sociais neste sábado, o exército israelense determinou que os palestinos que permanecem na Cidade de Gaza evacuem “imediatamente” e se desloquem para o sul, até uma área designada como zona humanitária. Segundo o porta-voz Avichay Adraee, mais de um quarto de milhão de pessoas já deixaram a Cidade de Gaza, de um total estimado de 1 milhão de habitantes na região norte que circunda a cidade.

As Nações Unidas, entretanto, estimaram que cerca de 100 mil pessoas deixaram a região entre meados de agosto e meados de setembro. Tanto a ONU quanto grupos de ajuda alertaram que o deslocamento de centenas de milhares de pessoas agrava a já crítica crise humanitária. Áreas no sul de Gaza, para as quais Israel orienta os deslocados, estão superlotadas, e os custos envolvidos na mudança pesam para muitos que não dispõem de recursos financeiros.

Uma iniciativa liderada pela ONU para instalar abrigos temporários em Gaza informou que mais de 86 mil tendas e outros suprimentos aguardavam liberação para entrar na região, na última semana.

O Ministério da Saúde de Gaza comunicou neste sábado que sete pessoas, incluindo crianças, morreram devido a complicações relacionadas à desnutrição nas últimas 24 horas, elevando o total de vítimas para 420, das quais 145 eram crianças, desde o início do conflito.

O bombardeio ocorrido na noite de sexta-feira na Cidade de Gaza se deu poucos dias após Israel lançar um ataque visando líderes do Hamas no Catar, intensificando sua campanha contra o grupo militante e colocando em risco as negociações para o fim da guerra na região.

Famílias dos reféns ainda mantidos em Gaza fazem apelos para que Israel interrompa a ofensiva, temendo que seus entes queridos venham a perder a vida. Dos 48 reféns que permanecem na área, aproximadamente 20 são considerados como estando vivos.

A guerra em Gaza teve início quando militantes liderados pelo Hamas invadiram o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, sequestrando 251 pessoas e ceifando a vida de cerca de 1.200, na maioria civis. A ofensiva retaliatória de Israel já resultou na morte de pelo menos 64.803 palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não especificou quantos eram civis ou combatentes. De acordo com o ministério, aproximadamente metade das vítimas eram mulheres e crianças. Grandes partes das principais cidades foram completamente destruídas e cerca de 90% dos aproximadamente 2 milhões de palestinos foram deslocados.


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