Na segunda-feira (22 de setembro) inicia-se o Navaratri, um vibrante festival hindu de nove noites dedicado à Divina Feminina em todas as suas manifestações. Durante o festival, os hindus realizam rituais em homenagem à deusa Durga — a “Deusa Mãe” que personifica a energia feminina conhecida como Shakti — reconhecendo sua vitoriosa batalha de nove dias contra o demônio búfalo, Mahishasura.

De acordo com a tradição hindu relatada no Devi Mahatmya, um texto sagrado do século III, cada noite é dedicada a uma forma de Durga que se manifestou durante a batalha, variando seus poderes de dia para dia de forma a contribuir para a vitória sobre o demônio. Assim, a primeira noite, representada por Shailputri, simboliza a coragem e o foco necessários para o início da luta, enquanto a sétima, encarnada por Kalaratri, é considerada a forma de guerreira mais sombria e temível de Durga.

Alguns hindus celebram todas as nove manifestações de Durga, enquanto outros dividem o feriado em três partes, dedicando momentos à deusa Durga, à deusa Lakshmi e à deusa Saraswati — que simbolizam, respectivamente, poder, prosperidade e sabedoria.

Em todas as suas versões, o Navaratri representa uma oportunidade para que homens e mulheres reconheçam a importância do poder feminino em suas vidas — seja na figura da cuidadora amorosa e compassiva, do apoiador leal e dedicado ou da protetora feroz e poderosa.

E, assim como ocorre com a maioria dos feriados hindus, as celebrações do Navaratri (termo que significa “nove noites” em sânscrito) variam amplamente entre as regiões da Índia.

No estado ocidental de Gujarat, o Navaratri é praticamente sinônimo de Garba — a dança folclórica comunitária que acontece em círculo em torno de uma lâmpada de barro, simbolizando a energia divina que permeia a vida. Em alguns estados do sul, as famílias organizam os Golus, arranjos em camadas de bonecas e estatuetas que representam divindades e cenas mitológicas, os quais são compartilhados com os vizinhos.

No norte da Índia, muitos praticam o jejum como forma de aprofundar sua prática espiritual e realizam rituais em homenagem às jovens presentes em suas vidas, denominados de kanya puja.

Para os bengalis, no leste da Índia, o Navaratri é a ocasião para um dos festivais mais grandiosos da região: o Durga Puja. Durante essa celebração comunitária, Pandals — templos temporários ricamente decorados — são montados para abrigar elaborados ídolos de Durga e de sua família.

Entre as diversas regiões da Índia, a valorização da coletividade se manifesta por meio dos rituais, da arte, da música e da dança. Na diáspora indiana, não é incomum que pessoas de diferentes idiomas e culturas unam seus rituais para celebrar juntas esse feriado.

Para muitas mulheres hindus, o Navaratri representa um momento especial de conexão com sua própria Shakti, fortalecendo a irmandade entre elas. Algumas optam por vestir uma cor distinta a cada dia, em sintonia com o significado simbólico da deusa celebrada naquele dia. Outras marcam a data do World Bindi Day, comemorada no primeiro dia do Navaratri, uma iniciativa iniciada em 2020 para homenagear a expressão cultural e espiritual simbolizada pela marca que muitas mulheres hindus usam na região do terceiro olho, ou chakra ajna.

No final dos nove dias, chega o Vijayadashami, também conhecido como Dussehra, que marca o dia em que Durga finalmente derrotou Mahishasura e restaurou a ordem cósmica do universo. Muitos hindus também celebram o Dussehra como o dia em que o Senhor Ram derrotou o demônio Ravana — a batalha central do épico hindu Ramayana —, assistindo a reencenações dramáticas do épico, conhecidas como Ramlila.

Em ambas as narrativas, essas histórias de batalha servem como lembranças de que o bem sempre triunfará sobre o mal.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *