Uma Nova Perspectiva para a Convivência Inter-religiosa

Em setembro de 2023, participei de uma delegação aos Emirados Árabes Unidos junto com o Zahava e o Moshael J. Straus Center for Torah and Western Thought da Yeshiva University. Em nosso encontro com líderes da Mohammed Bin Zayed University for Humanities, tivemos a oportunidade de dialogar com diplomatas e dignitários locais, além de participar de uma conferência sobre sustentabilidade na Abrahamic Family House, um complexo singular que abriga uma mesquita, uma igreja e uma sinagoga. Naquele momento, parecia que uma nova era de coexistência judaico-islâmica estava começando.

Infelizmente, o massacre brutal perpetrado pelo Hamas em Israel, em 7 de outubro, projetado em parte para bloquear a normalização das relações entre Israel e a Arábia Saudita, retardou tragicamente esse progresso. Hoje, a comunidade judaica nos Emirados enfrenta riscos muito maiores: um rabino do Chabad na região, Zvi Kogan, foi assassinado em novembro de 2024 e o Conselho de Segurança Nacional de Israel emitiu um alerta de Nível 3 para viajantes. Pais judeus reportam aumento de incidentes antissemitas contra seus filhos nas escolas, e a Missão dos Estados Unidos nos Emirados aconselhou os cidadãos americanos a evitarem locais associados a judeus e israelenses.

As Lições dos Acordos de Abraão

Apesar dos desafios, os Acordos de Abraão continuam a oferecer lições que não podem ser ignoradas. Eles demonstram que a convivência pacífica no Oriente Médio é possível e servem como um modelo de diálogo civil capaz de combater o antissemitismo e o anti-sionismo nos campi universitários. Estudantes podem aprender não só com os sucessos alcançados, mas também com os jovens ativistas do Oriente Médio que, assim como seus colegas americanos, lutam por justiça e dignidade humana, defendendo a identidade judaica e sionista.

Por exemplo, a ONG Sharaka, criada logo após a assinatura dos Acordos, reúne israelenses e árabes com o objetivo de promover o diálogo e a compreensão mútua. Influenciadores, como o ativista egípcio Loay Alshareef, adotaram os Acordos como ferramenta para construir pontes que superem a divisão entre judeus e muçulmanos. Em maio de 2023, o arcabouço diplomático estabelecido ajudou a viabilizar a realização da conferência “Women Connect to Innovate” no Marrocos, reunindo quase 100 líderes empresariais femininas de diversas crenças da região.

Ensinamentos para a Educação e o Pluralismo Religioso

Ensinar sobre os Acordos de Abraão também é uma forma de aprofundar a compreensão da própria tradição abraâmica de pluralismo religioso dos Estados Unidos. O diálogo entre judeus e cristãos já faz parte da longa história de liberdade do país, mas o islamismo precisa ocupar seu espaço nessa narrativa. George Washington afirmou que “o seio da América está aberto” a todas as pessoas de fé ou sem fé; John Adams, inclusive, citou Maomé como uma fonte respeitável de sabedoria; e Thomas Jefferson, que chegou a possuir um Alcorão, criou seu Estatuto da Liberdade Religiosa na Virgínia para proteger todas as crenças, seja qual for sua origem.

A visão dos Acordos de promover a paz entre judeus, cristãos e muçulmanos é exatamente o modelo que nossas universidades necessitam hoje. Iniciativas como os Programas Abraâmicos da UConn já demonstraram o sucesso desse modelo, ao educar estudantes sobre as diversas semelhanças entre as três religiões monoteístas. Por meio de eventos e conferências que abordam temas como mudanças climáticas, empreendedorismo, inovação, artes sagradas e tradições históricas, a UConn tem construído pontes significativas entre estudantes de diferentes culturas e crenças, enfatizando valores compartilhados.

Projetos Futuros e o Legado dos Acordos

Neste ano acadêmico, a Academic Engagement Network pretende financiar mais iniciativas educacionais semelhantes aos Programas Abraâmicos da UConn, por meio da Iniciativa dos Acordos de Abraão nos Campi. Por exemplo, na primavera de 2026, será apoiada uma conferência interdisciplinar na Universidade de Cincinnati, que reunirá estudantes, docentes, administradores e a comunidade para explorar as oportunidades econômicas, políticas e religiosas possibilitadas por esse arcabouço diplomático.

Ao refletirmos sobre os cinco anos desde que os Acordos de Abraão prometeram transformar o Oriente Médio, é fundamental que organizações judaicas sem fins lucrativos colaborem para que mais instituições e educadores dos campi americanos possam levar adiante essas lições. Essa abordagem não só combate o antissemitismo, como também promove a compreensão inter-religiosa e fortalece o legado de pluralismo religioso dos Estados Unidos.


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