ANKARA, Turquia – Um tribunal turco nesta sexta-feira rejeitou um processo que questionava a legitimidade da eleição interna de 2023 do principal partido de oposição, decidindo que não havia base legal para retirar a atual liderança do cargo.

A ação judicial visava anular o 38º congresso do Partido Republicano do Povo (CHP), realizado em novembro de 2023, durante o qual o veterano líder Kemal Kılıçdaroğlu foi removido, sob acusações de fraude eleitoral, como compra de votos e violações processuais. A anulação poderia ter invalidado a presidência do atual líder, Ozgur Ozel, fazendo com que ele fosse substituído por Kılıçdaroğlu ou outro “presidente em confiança”.

O CHP negou veementemente as acusações de fraude, afirmando que o congresso foi realizado conforme os devidos procedimentos. Autoridades do partido caracterizaram a medida judicial como uma tentativa politicamente motivada do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan de minar a oposição por meio de pressão judicial.

Críticos enxergam neste caso parte de uma repressão mais ampla contra o CHP, que obteve ganhos significativos nas eleições municipais do ano passado. Municípios sob controle do CHP vêm enfrentando ondas de prisões neste ano, incluindo a do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, que permanece sob custódia preventiva por acusações de corrupção que ele nega.

Imamoglu, amplamente visto como um potencial desafiador forte a Erdogan, teve sua prisão em março acompanhada de manifestações populares em larga escala. Enquanto isso, o governo de Erdogan insiste que os tribunais turcos são imparciais e livres de interferência política, enfatizando que as investigações estão focadas exclusivamente na corrupção.


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